Rua Frei Leandro , 20 - 20
Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ
(21) 2266-7591
Luciana Plaas
Demorei muito para ter coragem de ir ao Oro. Ouvia tanto que o chef Felipe Bronze estava fazendo isso, aquilo. Acho que fiquei com medo. Até porque não sou muito fã dessa modernidade toda. Tomei coragem, marquei com um grupo de amigos e fomos. A primeira coisa que gostei, foi entrar no restaurante pelo lado oposto aonde era a entrada do último restaurante que abriu ali, o XX. Aliás tudo é o oposto do antecessor, que fechou com menos com menos de um ano de funcionamento e era a tradução da irregularidade.
Do salão dá pra ver o que acontece na cozinha, só que eles não conseguem ver os clientes. Nada lá é convencional. Para quem vê de fora, a luz da cozinha é fúcsia, e dá um clima de laboratório e ficção científica. Mas acredito que lá dentro, a luz seja branca mesmo, tradicional, ou seria complicado cozinhar.
Logo chegou o maître Raul de Lamare que nos apresentou o cardápio. Como não sabíamos exatamente o que escolher, decidimos colocar o nosso jantar nas mãos do chef.
Chegou uma porção de coisas de uma vez só. Cada um com uma apresentação diferente. O que provei primeiro foi o tempura de ovo de codorna com gema mole (R$19). O ovo por si só já é bom e quando vira tempura, fica impossível comer um só. Depois passei para os profiteroles de queijos do Brasil, licuri caramelizado (R$17). Licuri é o fruto de uma palmeira típica do sertão nordestino. Funciona assim: o cliente pega o profiteroli e passa no licuri, como se estivesse passando em um creme. É gostoso, mas funciona ainda melhor pela combinação doce-salgado e pela mistura de texturas.
Presente em quase todos os cardápios da cidade, lá está, firme e forte, o tartare de salmão. Mas como não estamos em um restaurante comum, esse tartare é defumado a frio, servido num cone bem fininho de manga e ovas de tangerina (R$19). Encantador. Mais uma vez, um show de combinação e texturas e sabores.
Quando achei que as entradas haviam terminado chegaram os rolinhos de moqueca, com espuma de coco. Lembra uma grissini, mas quando você morde percebe que é um harumaki bem fininho, onde a moqueca fica ali dentro, já a espuma de coco, não me agradou tanto. Este prato vai sem preço porque ainda não está oficialmente no cardápio.
Avançamos para os principais. O meu prato foi o açaí salgado com bananas confit, farofa gelada de foie gras e crocante de tapioca (R$25). Sempre tive vontade de provar o açaí salgado, gostei. Achei ótimo o chef ter mantido a banana, afinal foi assim que aprendi a comer o açaí. Minha amiga de frente ficou com a caprese, que no Oro, é fria e quente, com burrata, tomates, pesto de manjericão roxo e baru. Uma modernidade só. O meu segundo prato foi o lagostim com creme de pistaches e limão siciliano, com alcachofras fritas (R$ 39). Interessante, gostei, mas não aguentei todo, achei um pouco enjoativo. Provei ainda o tartare de mignon com gema de coalho, fumaça de churrasco e batatinhas fritas, (R$55). Um tartare diferente, mas sem perder a essência.
O jantar prosseguiu com o atum com espuma de edamame (soja verde) e abacate com wasabi, caramelos de shoyu, rapadura e gergelim (R$55). Este prato teve o poder de me reconciliar com o peixe. Andei um tempo cansada de atum, todos eles sempre com crosta de sei lá o que, servidos cozidos por dentro. Agora, quando quiser comer atum, sei aonde ir.
Por mim poderíamos ter parado ali, estava feliz e satisfeita com o atum. Mas o chef queria mostrar tudo que ele tinha para oferecer. Então vieram o porquinho de leite à baixa temperatura, com mousseline de baroa defumada e pérolas de maçã caramelada (R$45), e a costela de boi "36 horas" aligot do sertão e espuma de leite de castanhas (R$59). Obviamente não abri mão do porquinho, que estava como eu gosto. Macio por dentro, crocante por fora. Experimentei a costela também, desmanchava antes mesmo de chegar na boca. Mas me encantei mesmo foi com a espuma de leite de castanhas. Que gostosura.
Na hora sobremesa, chegaram dois pratos o tudo chocolate e o todo caramelo (R$36, cada). O caramelo vem com churros! E eu não resisto a um churros! Portanto, mesmo sendo fã de chocolate, caí de boca mesmo foi no caramelo.
Confesso que fui cheia de preocupação com o estilo do restaurante. Sempre tive resistência à culinária molecular. Para mim, o show é o sabor das coisas, o gosto e não a fumaça misteriosa do nitrogênio que o chef usa com habilidade para deleite dos clientes no salão. Para mim, a banana tem que ter gosto de banana, a manga tem que ter gosto de manga e o porco, gosto de porco. E isso o Felipe Bronze conseguiu com maestria. Pirotecnia a parte, os pratos têm sabor, gosto. E isso é o que realmente importa numa comida.
Não conhecia o chef Felipe Bronze pessoalmente. Apesar de estar fazendo uma culinária moderna, procura usar produtos brasileiros e brincar com pratos que já são nossos velhos conhecidos, isso ajuda a dar confiança ao comensal. É preciso muita coragem e ousadia para abrir um restaurante como esse, principalmente no Rio. E isso ele tem de sobra. Que bom!
É louvável o trabalho da sommelière Cecília Aldaz. Com tanta combinação de texturas e sabores, ela precisa requebrar para harmonizar tudo. Mas a danada não só consegue como faz o trabalho com muita elegância.
Degustação de 5 pratos - R$ 155 - Harmonização R$ 95
Degustação de 7 pratos - R$ 205 - Harmonização R$ 120
Degustação de 9 pratos - R$ 250 - Harmonização R$ 160
Foto: Divulgação/Tomas Rangel
Buscar
Estamos em férias. Retornaremos em janeiro, com novidades
Com salvaguarda enterrada, setor de vinhos se une para aumentar consumo no país
Nome de vinho causa polêmica em New Hampshire, nos Estados Unidos
Nota 9.0
A safra 2007 foi bem peculiar. Um ano quente, colheita precoce, produções reduzidas. O resultado for ...
Nota 9.0
Cassis, grafite, cedro, baunilha, chocolate e pimenta no nariz. Taninos firmes, intenso, encorpado, longo e quente ...
Nota 8.5
Este corte de cabernet-sauvignon (50%), mourvèdre (40%0 e syrah (10%) é o topo de gama desta interes ...
Nota 8.0
Corte de cinsault (40%), grenache noir (30%), cabernet-sauvignon (15%) e mourvèdre (15%), mais um bom vinho ...