Vinhos E Outras Cachaças

Servido em 13.07.11 | 19:24

Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!

Reinaldo Paes Barreto

O rock n' roll é um gênero que surgiu nos Estados Unidos durante a década de 50 e, num relâmpago, se espalhou pelo mundo.

 

A tradução literal é algo como “deite e role”, o que não esconde uma conotação sexual porque tanto "rock", quanto "roll", na gíria dos negros americanos, significa trepar.

 

Mas há, ainda, a metáfora da pedra em queda-livre, tanto que um velho provérbio inglês reza que pedra que rola não cria musgo.

 

Talvez por isso, dez anos depois, uma banda londrina foi batizada de “Rolling Stones”.

 

Mas voltemos aos Estados Unidos: em 1952, o produtor Alan Freed criou um programa de rádio chamado “Moondgo's Rock'n'Roll Party” e teve uma estreia retumbante. Estimulado pelo sucesso, organizou várias apresentações sendo que um ano depois reuniu mais de 30 mil pessoas num local com capacidade para, no máximo, 10 mil. Na plateia, mais de dois terços era composta por jovens brancos: o que prova a atração da juventude dessa década pela música negra.

 

E vice-versa.

 

Em 1956, surgia – então -- o primeiro grande fenômeno mundial do rock: Bill Haley e Seus Cometas.

 

As festinhas de família nunca mais seriam as mesmas. Nem as telas dos cinemas. Rock Around the Clock correu mundo. Ele misturava três gêneros musicais similares do repertório americano: blues, country e jazz.

 

Sucesso “na veia”.

 

Só que, na sequência, um cantor de igreja do Memphis, no Tennessee -- Elvis Presley -- teve a feliz inspiração de incluir uma quarta vertente: o gospel. E em pouco tempo tornou-se o símbolo máximo dessa ruptura com a melodia bem comportada do pós-guerra, ainda mais que acrescentou ao novo ritmo eletrizante uma coreografia quase erótica de se apresentar.

 

Nem por acaso os puritanos o batizaram de Elvis Pélvis.

 

Os instrumentos musicais utilizados nas novas bandas de rock passaram a ser a guitarra elétrica, o baixo, a bateria e, muitas vezes, um piano ou teclado, embora no início, o principal instrumento tenha sido o saxofone.

 

 

Elvis nasceu em circunstâncias humildes, numa casa de dois quartos em Tupelo, Mississipi, no dia 8 de janeiro de 1935. Seu irmão gêmeo, Jessie Garon, nasceu morto, e Elvis cresceu como filho único. Ele e seus pais se mudaram para Memphis, Tennessee em 1948 e, lá, Elvis se formou na Humes High School, em 1953.

 

Em 1954, iniciou sua carreira musical no lendário selo Sun Records, em Memphis.

 

No fim de 1955, seu contrato foi vendido para a RCA Victor. E em 1956 ele já era um fenômeno internacional. Com um som e estilo que combinavam suas diversificadas influências e desafiavam as barreiras raciais da época, Elvis foi o pioneiro de uma nova era da música e do comportamento ocidental.

 

Além disso, estrelou 33 filmes, todos de sucesso, fez aparições especiais na televisão e chegou a vender mais de um bilhão de discos, o que lhe garantiu prêmios de ouro, platina e multi platina, por seus 149 álbuns -- muito mais do que qualquer outro artista do seu tempo. Entre seus muitos troféus, estão 14 indicações ao Grammy (3 prêmios) da National Academy of Recording Arts & Sciences e, aos 36 anos, a consagração de ser eleito um dos 10 Jovens Homens Mais Proeminentes da Nação, em 1970.

 

Mesmo assim, essa lenda viva da juventude do mundo foi convocada pelo Exército dos EUA e serviu sem nenhum dos privilégios que seu status de celebridade poderia ter facilitado.

 

That's America!

 

Mas seu fim, infelizmente, foi lamentável. Hipocondríaco, deprimido, obeso, Elvis morreu com 42 anos, em sua casa no Memphis, em 16 de agosto de 1977.

 

Ao que parece envenenado pelas overdoses de calmantes e moderadores do apetite.

 

Se estivesse vivo, hoje seria um senhorzinho de 76 anos. Ou recluso, misterioso -- modelo Ava Gardner -- ou... Gordo e sacudido!

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