Servido em 17.12.10 | 11:34
Luciana Plaas
No início da década de 90, o brasileiro morria de fome. A desnutrição infantil era um dos grandes problemas do país; o número de pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza era inconcebível. Éramos uma nação de esfomeados. A estabilidade e o crescimento econômico dos últimos anos melhoraram significativamente esse quadro. Muita gente ainda morre de fome, mas em escala menor do que ocorria antes. Em compensação, o número de obesos disparou. O Ministério da Saúde informou que 13,9% da população brasileira é de obesos. Se nada for feito para reverter o quadro, até 2022, podemos alcançar os Estados Unidos, líderes mundiais nessa triste estatística. Lá, mais de 1/3 da população é obesa. Como o número de doenças relacionadas a obesidade inclui diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão, podemos concluir que, hoje, o brasileiro morre por comer demais. Comemos muito e muito mal.
Estamos levando uma vida bem mais sedentária. Antes, culpávamos a televisão; agora, o vilão é o computador. Para mudar este quadro, é importante que haja a conscientização de todos. Temos que saber identificar o mal que certos alimentos podem vir a nos fazer. Assim fica mais fácil fazermos escolhas.
Um bom exemplo é o que acontece com o arroz e o feijão, que sempre foi o prato do brasileiro. Dados do IBGE indicam que, nos últimos 30 anos, caiu em 31% o consumo do arroz e do feijão. Em contrapartida, o consumo dos refrigerantes e biscoitos teve um aumento de 400%. O feijão preto custa R$2,59. Já um pacote de biscoito salgadinho custa R$1,99, e só é necessário abrir o pacote, nem precisa cozinhar durante uma hora. A tentação é muito grande. Mas o estrago é ainda maior.
Tirando o marinheiro Popeye que fica forte depois que come espinafre, e o Pernalonga que vive mastigando cenoura, a propaganda de produtos que fazem mal à saúde é massacrante. A mensagem que é mandada para crianças, associando a imagem de super heróis e vida saudável com produtos que engordam e não trazem nenhum benefício é nociva. É necessário que sejam criadas leis que controlem a propaganda dos alimentos e faça advertências aos produtos que podem fazer mal. Por outro lado, alimentos saudáveis deveriam ter a vantagem de uma tributação diferenciada. Enquanto uma salada for mais cara do que um saco de “baconzitos”, fica complicado. Só para deixar bem claro: nada contra o salgadinho, mas apenas deveria ser combatido o consumo em excesso deste tipo de produto.
Vivemos em uma sociedade com pressa. Tudo é urgente. Mensagens, e-mails, tudo precisa ser respondido imediatamente, tudo é pra ontem. O ato de cozinhar está cada vez mais raro. Tirando os que sentem prazer em cozinhar ou podem pagar uma empregada que faça o serviço, ninguém entra mais na cozinha. Muito menos para fazer aquela comidinha básica do dia-a-dia. Isto influenciou na mudança de hábitos alimentares do brasileiro. E é outro dos motivos para o quadro perigoso que se avizinha.
Outro ponto é um planejamento urbano melhor, que estimule a prática de exercícios. Com mais ciclovias, calçadas para pedestres e áreas de lazer com iluminação adequada o apelo é muito maior em prol da saúde.
Essa é uma campanha demorada, mas é possível enxergar a luz no fim do túnel. Que o diga Jamie Oliver. Ele fez uma campanha contra o uso de comida processada (fast food) na dieta das escolas do Reino Unido e dos Estados Unidos. Para isso, teve que ensinar as merendeiras a cozinhar. Elas simplesmente abriam pacotes de nuggets, colocavam no forno e serviam para as crianças. Esse era o tipo de comida que era distribuído pelo governo às escolas públicas. Depois dessa campanha, as crianças passaram a saber identificar os legumes e as verduras e também para que servem – algo que a maioria não tinha ideia. É um caminho longo, mas possível.
Essa é a melhor época do ano para fazermos novas promessas, resoluções. Uma delas poderia ser adotar uma dieta mais saudável e fazer mais exercício. Desejo um Natal ótimo para todo mundo. E que as pessoas pensem um pouco no que comem e, principalmente, acostumem as crianças a comer bem. Prestando atenção nestes pequenos detalhes, estaremos dando um grande passo para termos mais saúde, não apenas no ano que vem.
Foto: Divulgação
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